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Geraldinos sonham com a volta da geral do Maracanã

Torcedores folclóricos dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro relembram os velhos tempos no espaço mais democrático do estádio

O Zorro Alvinegro (E) e o vascaíno Pecunha, geraldinos assumidos, torcem pelo retorno do espaço mais democrático do Maracanã
O Zorro Alvinegro (E) e o vascaíno Pecunha, geraldinos assumidos, torcem pelo retorno do espaço mais democrático do Maracanã -
O piso de concreto, os 13 pequenos degraus e um sem número de figuras hilárias que se misturavam e davam um charme a mais à antiga geral do Maracanã. Tudo isso sob o sol das tardes de domingo no quengo e o cheiro da grama verdinha separada da galera por um fosso de pouco mais de 3m. O setor, chamado de o espaço mais democrático do futebol brasileiro, nos foi arrancado há 15 anos — a última partida no Maraca antes da destruição do setor foi em 24 de abril de 2005, vitória do Tricolor das Laranjeiras sobre o São Paulo, por 2 a 1 —, mas há uma pequena chama de esperança de que ela poderá retornar ao seu verdadeiro dono: o povão.
No início deste mês, o governador Wilson Witzel revelou que pretende reconstruir a geral. Se foi ou não uma simples jogada de marketing, ainda não se sabe. O certo é que a declaração deu um novo ânimo aos 'geraldinos', torcedores que ajudaram a construir a história e todo o folclore do Templo do Futebol, que no último dia 16 completou 70 anos.
Frequentador assíduo da geral na época de ouro do Maraca, o botafoguense Francisco Correia, mais conhecido como o Zorro Alvinegro, o espaço faz muita falta hoje em dia. "A geral era tudo, era onde as torcidas rivais se uniam e curtiam o futebol sem problemas. Era o lugar onde o povão sentia aquele calor humano. Sou muito a favor e torço muito para que isso aconteça", destacou.
O vascaíno Gilberto dos Santos Durval, o Pecunha do Jacarezinho, faz coro ao colega. "Nós éramos felizes. Lembro que muitos pais levavam seus filhos nos ombros. E havia respeito entre todos, até da polícia. Se a geral realmente voltar, será o acontecimento mais importante do futebol brasileiro, pois quem é da favela terá de volta a chance de frequentar ao Maracanã de novo. Hoje em dia, quem mora em comunidade, não tem a menor condição de dar R$ 50 para ir a um jogo", afirmou Pecunha.
A questão financeira, claro, é um ponto de extrema importância para um possível renascimento da geral. Na opinião da rubro-negra Maria Boreth de Souza, a inconfundível Dona Zica, que já foi a pé de Olaria até o Maracanã para torcer pelo seu Flamengo, será preciso lembrar daqueles que não têm condições de bancar um ingresso caro.
"Tomara que a geral volte mesmo com um preço razoável: R$ 2, R$ 3 ou R$ 5. Porque se for R$ 20 ou R$ 30, vai babar. Não vai ter jeito. Mas se isso acontecer mesmo, eu vou a ser a primeira a aplaudir. A geral era um palco", disse a torcedora de 69 anos, que, assim como muitos outros pela cidade, sonham em resgatar um pouco do espírito do velho e bom Maracanã.
Já Maria de Lourdes, a famosa Vovó Tricolor, além de achar a ideia sensacional, nutre um sonho particular. "Eu quero estar de volta à geral para festejar um gol do meu querido Fred, ver de novo uma festa linda da torcida do Fluminense naquele lugar em que eu coleciono várias histórias lindas".

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